sábado, 8 de novembro de 2014

PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER




PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

O Supremo Tribunal Federal já é dominado por maioria grata ao PT e obediente a suas orientações sobre como decidir as causas que interessem ao partido. Isso ficou claro com a decisão nos embargos infringentes de julgado da Ação Penal 470 (mensalão) e foi muito bem expresso pelo ministro presidente do STF, Joaquim Barbosa, ao final do julgamento. “Isso é só o começo”, disse ele. 
Isso ficou claro desde que o ex-presidente Lula indicou o  Dias Toffoli para o cargo e o Poder Legislativo, já dominado, aprovou a escolha de um advogadozinho que não tem mestrado, não tem doutorado, nunca publicou um livro e fez concurso duas vezes para o cargo de juiz-substituto no Estado de São Paulo e foi reprovado em ambas as tentativas, um sujeito que tinha dois processos movidos contra a sua pessoa para exigir o ressarcimento de verbas públicas. Nomeou-se um sujeito nessas condições para um cargo que exige “notável saber jurídico e reputação ilibada”. Toffoli é tão despreparado que não tinha condições de debater com Joaquim Barbosa e essa função coube ao ministro Lewandowski, também pinçado para exercer cargo de confiança de Lula.
Lula ficou uma fera quando viu a atuação de Joaquim Barbosa, que ele mesmo tinha indiciado para o cargo, agir com independência quando deveria ser grato a quem o indicou e atuar como ocupante de um cargo de confiança. O mesmo com o ministro Luiz Fux. Como se atreviam a decidir contra os interesses do PT? Esse engano não foi mais cometido. Todos os ministros nomeados depois votaram, por mera coincidência, de acordo com os interesses do PT e do Lula.
Podemos esperar que as nomeações para os cargos que irão vagar com as aposentadorias compulsórias que estão próximas venham a recair em juristas honestos e isentos? Realmente, Joaquim Barbosa tem razão. “Isso é só o começo”. Daqui para a frente o PT e seus aliados ocuparão todos os ministérios e mais de vinte mil cargos de confiança do Poder Executivo, terá folgada maioria no Poder Legislativo e dominará completamente o Poder Judiciário. Devemos nos lembrar de que cabe também ao presidente da república promover os novos oficiais generais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Será que irão promover um novo General Heleno? Eu duvido.
O dedo dos esquerdistas esteve presente nos Black Blocs, os quais conseguiram provocar a reação da polícia contra as depredações, furtos e baderna que imprimiram às até então legítimas manifestações populares, amedrontando e afugentando as pessoas de bem destas manifestações. Conseguiram esvaziá-las. O bando de criminosos profissionais conhecido como MST, apesar de receber polpudas quantias no orçamento da União, fez uma passeata em Brasília, para o que seus integrantes tiveram suas passagens e alimentação pagas com dinheiro público, mostraram sua selvageria ao tentar invadir até o Palácio do Planalto, derrubando grades e agredindo policiais. Apesar dessa selvageria, foram recebidos pela Dilma no dia seguinte, para negociar as suas reivindicações.
Não pretendo falar sobre a corrupção e sobre o estado miserável em que está a infraestrutura nacional enquanto Dilma transfere fundos do Tesouro Nacional para que o BNDES financie quase um bilhão de dólares para a construção de um porto em Cuba por meio de um empréstimo que recebeu a chancela de “SECRETO” até 2027! Por que secreto? O financiamento para construção de um aeroporto em Cuba também está sendo providenciado. Angola também recebeu ajuda financeira e o Brasil perdoou generosamente as dívidas dos ditadores africanos que se tornaram bilionários enquanto seus países afundam cada vez mais na miséria. 
Forma uma frente socialista com Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Uruguai e Nicarágua. Dominando a grande maioria do Legislativo e o STF, está tudo pronto para o estabelecimento da República Bolivariana do Brasil, com emendas constitucionais necessárias e plenamente confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal. Os generais que vêm sendo promovidos deverão impedir qualquer “complô da direita para derrubar o governo eleito democraticamente”.
Enquanto a situação a nível nacional está assim, o que vemos no dia-a-dia dos brasileiros? Medo, terror, pavor da bandidagem que age livremente massacrando as pessoas de bem e os cidadãos trabalhadores. Se a impunidade vem de cima, todos se aproveitam das leis ultramodernas que garantem todos os direitos humanos dos menores e maiores que cometem os mais monstruosos crimes. Todo mundo fica encorajado a fazer o que quer e sempre se dar bem no final.
Ontem, dois irmãos bandidos com vasta ficha policial, invadiram uma residência em Goiânia enquanto um terceiro aguardava ao volante de um carro para a fuga. Deitaram todos os moradores enquanto saqueavam a casa. A toda hora encostavam suas armas na cabeça das vítimas indefesas e ainda colocaram uma criança de 1 ano e seis meses sentada nas costas de sua mãe, que estava de barriga para baixo. Antes de ir embora, um deles disparou sua arma contra a cabeça da mãe, uma ex-modelo de 27 anos e acertou sua cara, desfigurando seu rosto. Tudo junto à criança que estava sentada nas costas da mãe.
Há pouco tempo, entraram no consultório de uma dentista e, como ela tinha pouco dinheiro, jogaram álcool em cima dela e atearam fogo. Aqueles que roubaram o carro de uma mulher não se importaram que seu filho ainda bem pequeno tivesse ficado pendurado fora do carro enquanto eles o arrastavam por centenas de metros até que o cinto arrebentou. Um monstro vinha dirigindo seu carro e atropelou um ciclista. No atropelamento, foi arrancado um braço do ciclista. Como o braço ficou preso ao carro, ele dirigiu até um rio onde jogou o braço. Filha combina com seu namorado matar seus pais para ficar com a herança, pai e madrasta batem numa menina e jogam-na da janela do oitavo andar de um prédio. Quando um bandido é preso a um poste por uma tranca de bicicleta, os grupos de direitos humanos se alvoroçam e chamam de nazista a repórter que disse compreender aquela ação. Tem muitíssimos mais exemplos, mas CHEGA! Não aguento mais pensar nessas coisas.
O certo seria ficar aqui e tentar consertar este país, mas como? Todas as pessoas bem informadas estão revoltadas, mas analfabetos, presos e talvez até loucos podem votar. Na verdade não faz a menor diferença em quem votar, porque a votação é efetuada em urnas eletrônicas de primeira geração, já completamente superadas e fáceis de hackear. Não existe nem mesmo a impressão dos votos sem a identificação do votante para preservar o sigilo. Essas urnas já foram emprestadas até ao Paraguai, que as devolveu por não considerá-las seguras.
Ano passado passei dois meses em Miami Beach com minha mulher e pudemos ver como é a vida em um país onde as instituições funcionam. Teve uma noite em que nós dois fomos sozinhos à praia no meio da noite. Estava tudo escuro e não havia ninguém na praia, mas nós nos sentimos seguros. Aqui, até dentro de casa você sofre barbaridades.
Bandidos existem em toda parte, o problema é que aqui os bandidos não são punidos e estão agora governando, fazendo as leis e aplicando-as no Supremo. O Brasil não tem mais jeito!
Pensei em comprar um apartamento lá e sempre vir visitar filhos, netos e amigos, bem como recebê-los como hóspedes. Tinha desistido disso porque não posso abandoná-los nesta situação, mas mudei de ideia. Não há nada que eu possa fazer aqui e minha presença não vai evitar que alguma tragédia aconteça com eles. Se eu fosse religioso, poderia pelo menos rezar por eles.
Vou estudar todas as opções e, se tiver condições, vou sair do da República Bolivariana do Brasil. Se não tiver, vou ter continuar aqui. Eu sempre disse que nasci antes do meu tempo, porque adoro ciência, eletrônica, a vida moderna. No meu tempo não existia avião a jato, não existia TV, nem mesmo rádio FM existia. Agora, estou pensando que já estou vivendo além do meu tempo. Todas as maravilhas modernas existem, mas não existe paz de espírito. Eu vivi uma vida bem agradável. Tive excelentes pais, irmãos, esposa, filhos, netos e amigos. Trabalhei em um cargo onde eu gostava muito do que fazia e era bom no meu serviço. Tive destaque e poder. Relacionamento com pessoas importantes e era muito respeitado. Não tenho do que me queixar. Agora acabou. Não espero mais nada da vida e só vejo um futuro tenebroso. Felizmente, acredito que meus filhos e netos sejam sempre pessoas do bem, mas sei que não estão livres de que aconteça, de repente, uma desgraça. Isso é não só possível como também provável. Não tenho mais condições de continuar assim.
Só espero chegar ao fim antes que essa desgraça aconteça. 
Pare o mundo que eu quero descer.

ALZIR CARVALHAES FRAGA

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"Dez vezes três horas esperaria,
não fora para tão grande amor tão curto o dia"


Ontem a minha mulher me pediu para lembrá-la tinha que ir trocar os quatro pneus do carro dela e eu sei que ela está sempre cheia de coisas para fazer. Como eu estava folgado, propus levá-la à cidade e eu levar o carro para a loja. Quando o carro estivesse pronto, eu telefonaria para saber se ela já tinha acabado e podia subir comigo.
O caso é que levou mais tempo do que nós tínhamos pensado. Havia outros carros para ser atendidos e só depois de mais ou menos uma hora é que os pneus estavam trocados. Aí ele perguntou se queria fazer balanceamento e alinhamento. É claro que eu aceitei e lá fiquei eu mais uma vez lendo jornais atuais e revistas velhas sentado em um banco.
Só depois de algum tempo é que me lembrei que tinha esquecido o celular dentro do carro. Fui ver e ela já tinha ligado três vezes para mim. Liguei e ela estava preocupada porque já tinham se passado duas horas. Eu levantei e fui perguntar se ainda demoraria muito. Tomando conhecimento de que levaria ainda mais uma hora, mandei que ela pegasse um taxi e fosse para casa.
Passou-se mais uma hora e vinte minutos, totalizando três horas e vinte minutos de chá de cadeira. Avisei que estava subindo e, quando cheguei em casa, a Eunice manifestou sua indignação com o fato de me deixarem quase três horas e meia sentado em um banco sem nada para fazer. Admirou-se muito com o fato de eu ter mantido a calma e não ter me revoltado com a demora.
Na verdade, isso não me pareceu muito sacrifício. Pelo menos não foi nada que eu não pudesse aceitar como natural e aceitável, porque foi desagradável sim, mas durante todo esse tempo o que tinha me mantido calmo e até feliz era saber que eu estava poupando a mulher amada desse aborrecimento e contribuindo para para que ela tivesse um pouco de tranquilidade no meio de tantas ocupações que tem uma dona de casa. 
Esperei três horas e meia, mas,  parodiando Luiz de Camões no soneto mais lindo que conheço na língua portuguesa:

"Dez vezes três horas esperaria, 
não fora para tão grande amor tão curto o dia"

Para quem não conhece, este é o soneto ao qual me refiro:

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Luís de Camões (1524- 1580)                                                                      
                                                                                                 
Sete anos de pastor Jacó servia                                                                  
Labão, pai de Raquel, serrana bela;                                                                  
mas não servia ao pai, servia a ela,                                                                   
que a ela só por prêmio pretendia.                                                               
                                                                                                 
Os dias, na esperança de um só dia,                                                              
passava, contentando-se com vê-la;                                                               
porém o pai, usando de cautela,                                                                  
em lugar de Raquel lhe dava a Lia.                                                               
                                                                                                 
Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assim negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida,

começou a servir outros sete anos,
dizendo: Mais servira, se não fora
para tão grande amor, tão curta a vida!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013



SAIU MAIS UM EXEMPLAR DO JORNALFAMÍLIA FRAGA

Há muito tempo que não saía um exemplar deste prestigiado jornal, desde que o editor-chefe se sentiu constrangido pelas ameaças daqueles que, fiel e autenticamente retratados em suas peculiaridades, ameaçaram partir para a agressão física se seus defeitos fossem novamente trazidos à luz. Agora eu pergunto: Que culpa tenho eu se Fulano bebe demais, se Beltrano só diz besteira ou se Sicrana é vadia? A culpa é minha? Estou inventando ou caluniando alguém?
Mesmo com a consciência tranqüila, resolvi “dar um tempo” nos relatos das peripécias dos descendentes da tradicional família que veio da Itália dar sua contribuição à animação das festas brasileiras. Mas apenas por motivo de saúde, sabe? Para evitar ter uma perna ou um braço quebrado, ou mesmo a cara quebrada...
Mas a cobrança tem sido demais e o editor-chefe, não resistindo à esmagadora pressão de seus frustrados e ávidos leitores, lança ao público mais um exemplar do mais famoso, comentado e disputado periódico da imprensa brasileira!
Neste natal, mais uma vez reuniu-se a família Fraga na cidade de Juiz de Fora e todos os filhos de Garibaldi e Carmen estiveram presentes com seus consortes (ou melhor, seus semsortes), filhos, netos e até sogra, já que Dona Helena muito nos honrou com sua marcante e simpática presença. A grande ausência, mais uma vez lamentada e sentida por todos foi a do Tio Rico com a Lucíola, Lana e Ângelo. A gente entende, a precedência sempre é de passar os dias festivos com a família da mulher e por isso enviamos nossos melhores votos a eles, prometendo que, se Deus quiser, no Reveillon estaremos todos invadindo e nos aboletando na casa deles sem a menor cerimônia. Isto é uma promessa, e não uma ameaça!
Também o Adolphinho, pelo mesmo motivo, não esteve presente. E a Renata e a Vovozinha fizeram falta.
Em outras efemérides tivemos características que marcaram a ocasião, como a bebedeira no casamento da Renata e a pouca-vergonha em outra ocasião. Desta vez, o que marcou a ocasião foram as doenças. Meu Deus do Céu, parecia um hospital... Cada um que chegava estava com um treco estragado, um treco doendo, alguma coisa solta ou alguma coisa presa.
Isso foi uma desgraça para a Tia Vânia, é claro. Lá estava ela, toda prosa, feliz e vaidosa porque TINHA ACABADO DE SAIR DE UM HOSPITAL, esteve internada com desidratação, depressão, saco-cheio-do-Ernani, ou sei-lá-o-que-mais. Tava doida para contar para todo mundo o seu sofrimento e o seu calvário e o que é que fazem com ela?
Simplesmente aparece todo mundo doente. Isso é sacanagem!
A Letícia aparece por aqui com diarréia. Quase que ela nem podia vir porque a situação realmente “estava uma merda”, Mas o prefeito do Rio fez um dramático apelo para que ela saísse da cidade imediatamente, porque o sistema de esgoto não estava dando vazão. O emissário submarino tinha entupido. Na lagoa Rodrigo de Freitas os peixes estavam todos morrendo, eticeteraetal...
Lá veio ela para Juiz de Fora, mas passou no caminho em Petrópolis e todo mundo viu o que aconteceu, né? Decretado estado de calamidade pública, tem pra mais de quarenta mortos, o trânsito na BR-40 foi interrompido. Até a economia da Argentina se ferrou. Bem que os argentinos estão botando a culpa no Brasil. Eles sabem do que estão falando. Mesmo porque nos dias atuais todos os argentinos estão mesmo na merda. Estão na fossa. E a culpa é de quem? Adivinha.
Bem que a Roberta tentou compensar. Se de um lado a Letícia está de piriri, a Roberta apareceu por aqui com as tripas presas. Acho que elas deviam conversar um pouco, trocar umas idéias, quem sabe não consegue uma ajudar a outra?
Não bastassem esses incidentes de movimentos peristálticos, retrofuliculares e de esfíncter contraído ou relaxado para empanar o brilho da estadia da Tia Vânia no hospital, ainda aparece a Raquel com uma febrezinha de nada, que parecia não ter nenhuma causa aparente, daquela que não mata nem sai de cima. Tá parecendo que foi de propósito, só para perturbar o natal da Tia Vânia.
Mas não são só as sobrinhas, não. As irmãs também apareceram cada uma com uma doença mais estapafúrdia. Tia Arizla, por exemplo, saiu se mostrando pro Rafael com uma tal de “artrite reumatóide”. Ela abre a mão e os dedos parece que ficam indecisos sobre qual direção eles devem seguir. Um vai pra cima, outro pra baixo, um terceiro vai pra esquerda e outro pra direita. Tem até uns que vão um pouquinho em uma direção e aí mudam de idéia, fazem uma curva pro lado e depois um retorno na contramão (sem trocadilho). O Rafael disse que a Mônica tem muita chance de seguir o mesmo caminho por causa da hereditariedade e, depois que o Tio Adolpho mostrou que ele também tem os dedos tortos, recomendou que ela arrumasse uns canudos para enfiar os dedos na hora de dormir. Entorta de dia e desentorta de noite. É o único jeito.
A Tia Cris, solidária com a sua filha Letícia, não teve diarréia, é verdade, mas virou a maior peidona da paróquia. Foi dormir com a Raquel e com a Roberta e as duas ficaram apavoradas com o bombardeio do Afeganistão. Até a Brigite acabou fugindo e se escondendo numa caverna de Tora Bora, junto com a Osama Bin Laden. Foi mexer com fogo, saiu chamuscada. Se escondeu em baixo da cama da Raquel e quase morreu esmagada quando a cama veio abaixo igualzinho ao World Trade Center! Logo que ela foi salva pelo Betinho dos escombros, sentiu-se um cheiro terrível se espalhando pelo ambiente. Diz a Mônica que é uma glândula que a cadela tem e que libera esse cheiro quando está com muito medo, mas muitos acreditam que seja a glândula da Tia Cris mesmo. Infelizmente, não foi possível realizar testes para apurar a verdade.
Mas, em matéria de doença, ninguém conseguiu chegar nem perto da Tia Rosa e a sua bolota! Desta vez ela humilhou mesmo, que criatividade...
A Tia Rosa já saltou do carro e veio se arrastando direto para a cama da Cristina. O que foi? O que aconteceu? É a bolota, gente! Tia Rosa chegou aqui com uma bolota na vagina, uma inflamação muito dolorida que nem a deixa andar direito ou ficar em pé. E quem já conhece foi logo avisando: Toma cuidado, porque se a bolota estourar ninguém agüenta o cheiro.
Lembram daquela vez em que o Tio Rico parou o carro no Alemão e a Bianca vomitou dentro do carro? O Tio Rico saiu correndo por uma porta enquanto a Tia Nicinha desembestava pela porta oposta e sobrou para a Tia Cris limpar o vômito? Pois é. Se estourar a bolota da Tia Rosa vai sair cada um por uma porta e acabou o natal. Juiz de Fora fica deserta.
O Tio Zico foi logo dizendo que na piscina dele a Tia Rosa não entrava nem a pau.
Aliás, por falar em pau, aconteceu um fato muito interessante. A Tia Rosa estava deitada no sofá da sala e foi logo avisando que estava sem calcinha por causa da bolota. A Tia Nicinha passou por ali, viu a Tia Rosa toda arreganhada e levou um susto.
Disse a Tia Nicinha que aquela enorme protuberância parece até um pênis. A Tia Rosa virou hermafrodita e não sabia. Por isso é que ela sempre disse que precisava arranjar uma esposa. A gente pensava que era para lavar roupa e cozinhar, mas não. A Tia Rosa devia é estar com outras idéias na cabeça (sem trocadilho). Aliás, a Tia Nicinha disse que deve ter muito homem por aí que não é páreo para a Tia Rosa. Acho até que ela andou imaginando se não casou com o irmão errado...
No meu tempo de estudante, contavam uma piada de um cara chamado “Vaúco”, porque tinha esse apelido tatuado no “instrumento”. Diziam que isso era quando estava em repouso, porque quando armava a barraca, a pele desenrugava e aparecia a mensagem “Viva o glorioso povo de Pernambuco”.
A Tia Rosa poderia, se quisesse, escrever “Viva o glorioso corpo docente do Colégio Prado Júnior”. Na moleza. Aliás, na moleza não. Na moleza vai ficar só “Vunior”.
Acho que a grande vítima deste natal foi a Tia Cris, que já foi “Santa criatura”, virou “genta” depois que começou a menopausa e agora demonstrou aceitar muito bem as gozações. Afinal, todo mundo pegou no pé dela. Desde a Raquel com as acusações de flatulência até o Daniel, na hora da ceia, elogiando o arroz e dizendo que a Tia Cris nunca na vida vai conseguir fazer um arroz daqueles. Disse o Daniel que a Tia Cris deixa o seu arroz ficar preto em volta e uma “papa” no meio. Quando vai servir, ela pergunta “Vai querer quantos torrões?”. Ou então corta o arroz com a faca para colocar uma fatia de arroz no seu prato. Esse Daniel é um poço de sarcasmo! Em compensação, a Tia Cris disse que vai ser mole para qualquer garota pegar o Daniel para casar. É só dizer que sabe fazer arroz que ele aceita na hora.
Freud deve explicar.
Meu Deus, vocês viram só o vestido da Mônica e da Paulinha?
Pela frente, não tem nada de mais, mas olhando por trás não tinha vestido. Da Mônica já se esperava mesmo, mas da Paulinha? Quem diria, hem? E a Luiza, não parecia que ela estava vestida de “garrafinha de leite de coco Serigy”?
Foi emocionante quando a Cristina ficou presa no lavabo porque a fechadura emperrou e o Tio Zico e Tio Adolpho ficaram tentando abrir a porta. Não conseguiram e o Tio Zico acabou enfiando o pé na porta e foi mais uma destruição. O pior não foi nem o arrombamento com o pé e sim a destruição que eles fizeram na porta com a chave de fenda. Aliás, parecia mais a tal bomba termobárica que os americanos estão usando para acabar com as cavernas onde o Bin Laden se esconde.
Eu digo e afirmo: nunca mais vou comer a ceia em frente ao Tiago.
Primeiro ele foi se servir e simplesmente acabou com a salada. Botou tanta salada no prato que o Rafael chegou a avisar: “Olha aí, gente. Quem quiser se servir de salada pode vir pegar no prato do Tiago”. Depois, foi o espetáculo da Cascata do Hotel Meridian. Ele sentou com o prato no colo, pegava a comida com o garfo e, enquanto o garfo ia viajando do prato até à boca, ia despejando comida pelo caminho. E como ele estava olhando para baixo, mesmo depois de colocar a comida na boca, metade dela caía de volta ao prato enquanto o garfo saía da boca e descia de novo até ao prato. Foi lindo de se ver!
Aliás, a comida estava ótima. Bacalhau, pernil, salada, tava tudo ótimo (principalmente o arroz, né Daniel?). Até os doces ficaram muito bons, ao contrário do que aconteceu no ano passado. Acho que este ano as cozinheiras erraram a mão ou fizeram alguma coisa trocada sem querer, porque eu não acho que elas têm toda essa competência, não.
Além do Tiago, quem estava sentado à minha frente era a família da Tia Cris. A Letícia, que estava ao meu lado, ficou criticando a mãe e os irmãos porque estavam comendo a comida com os talheres de sobremesa. “Vocês não sabem a diferença entre talher principal e talher de sobremesa, família de favelados?”. Foi quando a Luciana se queimou e declarou que a Letícia é muito boa para criticar os defeitos dos outros, mas não vê o que ela própria faz de errado. Todo mundo parou de comer por alguns minutos para a Luciana demonstrar como é que a Letícia faz para tirar o catarro do nariz. Parece que ela abre a porta do carro, se inclina para fora, tampa uma narina e assoa. Como o catarro fica pendurado do nariz, ela pega com apenas um dedo e sacode com maestria a mão para arremessar com muita perícia a gosma para longe. Muito instrutivo. Aí nós voltamos todos a comer a ceia.
Vocês viram a pouca-vergonha dos ataques da Tia Cris e da Luciana ao Betinho? Bom, isso não é novidade e nem devia constar deste jornalzinho. A novidade é que desta vez o Betinho também andou botando as manguinhas de fora e andou atacando sexualmente a Raquel.
Acho que o Tio Zico já está ficando meio esclerosado. Quando deu as pistas para o seu amigo oculto, teve um ano que disse que a Tia Cris estava com “tudo em cima” e agora disse que a Arizla é “jovem”. Bom, só se a Tia Cris tem a barriga em cima das pernas, os peitos em cima da barriga, etc. E a Tia Arizla só pode ser jovem de espírito. (Cruzes, lá vou eu apanhar de novo este ano).
Em compensação, o Tio Adolpho chamou a Tia Nicinha de “forte” e ela se ofendeu. Quando me chama de “forte” você quer dizer “gorda”?
Aliás, os elogios aos amigos ocultos este ano estiveram mais para ofensas que para elogios. Por exemplo, a Tia Cris disse da Luíza e a Tia Arizla da Bianca que “o meu amigo oculto mudou muito e agora é uma pessoa simpática, agradável, amistosa”. O que elas disseram mesmo é que as duas sempre foram duas pestes e agora não são mais. Ainda bem.
Vocês viram só o engarrafamento que aconteceu na porta do Parque Imperial? Dizem que foi uma festa na casa de um vizinho ou então foi por causa da bolota da Tia Rosa. Engarrafamento de milhares de automóveis e quilômetros de extensão. Juiz de Fora está virando metrópole e qualquer dia bate o record de São Paulo.
E a chuva que interditou as estradas e impedia o pessoal de ir embora?
O Tio Zico já estava falando em comprar um jornal para ver as ofertas de apartamentos para aluguel. Felizmente, ele acionou o genro e a Polícia Rodoviária Federal conseguiu abrir algumas estradas especialmente para que todos pudessem ir embora. Afinal, o estoque de vassouras da Tia Nicinha já tinha acabado.

Para encerrar, vamos repetir a mensagem que este jornalzinho divulgou no natal de 1994 e que a Tia Arizla gentilmente guardou como lembrança. Foi ótimo que ela tivesse guardado, porque o exemplar já não existia mais nos nossos arquivos:

O PAI E A MÃE SÃO LEMBRADOS NESTE NATAL

Como não poderia deixar de ser, este Natal é ocasião propícia para que todos nós nos lembremos com saudade e muito carinho daqueles que são os responsáveis pela nossa existência e por sermos aquilo que somos.
Com sua orientação, cuidados e amor deram-nos a oportunidade para que viéssemos a nos tornar uma família onde o que existe de melhor em matéria de sentimento serve de cimento para unir seus membros em torno da lembrança e do exemplo que nos deixaram. Temos todos a certeza de que eles nos acompanham e observam, de onde quer que estejam e certamente devem aprovar o ambiente que existe entre os filhos, genros, noras e netos que continuam com muito garbo a saga da família Fraga.
Sempre de olhos atentos para as qualidades de seus descendentes, não enxergam qualquer defeito nos seus entes queridos e a felicidade dos seus é certamente motivo para imenso gáudio e exacerbado orgulho dos patriarcas da clã. Regozijam-se com nossos sucessos e amargam nossos percalços. Recebam nesta ocasião festiva a nossa saudade, o nosso carinho e o nosso amor, sabendo que apesar de sentirmos imensamente a sua falta, sabemos que estão bem, juntos e felizes, com a consciência do dever cumprido à exaustão e a felicidade de colherem no além os frutos da obra que construíram no plano físico.
Nós os amamos muito e um dia vamos nos reencontrar. Até esta feliz ocasião, esperamos ser merecedores do privilégio de termos convivido nesta existência com vocês.
P.S. - Os editores estendem esta homenagem aos saudosos entes queridos dos que ingressaram na família Fraga após o nascimento.

(Família Fraga – Natal de 1994)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013



DEUS SEGUNDO SPINOZA


As palavras abaixo são de Baruch Spinoza - nascido em 1632, em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677. Spinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaico-portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Acredite, essas palavras foram ditas em pleno Século XVII.



DEUS SEGUNDO SPINOZA (Deus falando com você)


"Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar
teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum
livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado
ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato?
Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti."


Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:
“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

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Alzir Fraga <alzirfraga@gmail.com>
16:52 (0 minutos atrás)
para ARIZLA (minha irmã)

Que coisa maravilhosa!
Este é exatamente o meu modo de pensar. Não sei se existe ou não uma inteligência atuando na criação do universo, mas se existir, será exatamente como descrito por Spinoza  Sempre me declarei indeciso entre o Ateísmo e o Deísmo. Mas jamais admiti como remotamente possível que o Teísmo represente a verdade, com sua visão antropomórfica de Deus, atribuindo-lhe qualidades e defeitos humanos.

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Em agosto, eu enviei um post no Google+ respondendo a uma dúvida manifestada por um colega:
Alzir Fraga 12/08/2012 (editado)  -  Círculos estendidos
Envio aqui dois comentários ocorridos em outro post. Os termos usados e os pontos de vista expostos são a opinião sincera e sem menosprezo aos que não compartilham as mesmas ideias. Assim como todos podem mostrar a sua crença, acho que posso expor minhas dúvidas.

+Alex Pereira
+Alzir Fraga me sinto um discípulo teu devido a sua experiência de vida e grau de instrução maior que o meu. Por isso eu queria saber a sua opinião sobre esse vídeo:https://plus.google.com/u/0/101019910962651886957/posts/RCqgsGPsNrD
Eu gostaria de saber o nível de veracidade que ele passa. Da minha parte, com tudo que eu sei, eu avalio com cerca de 70% no mínimo.

+Alzir Fraga
+Alex Pereira
Fico honrado pela confiança demonstrada na minha pessoa, pela experiência de vida e grau de instrução. Obrigado.
Infelizmente, acho que não vou poder ajudá-lo nesta questão que envolve interpretação da Bíblia e a comparação de seu conteúdo com outras religiões mais antigas.
Sempre declarei aqui que eu não sei se Deus existe. Pode ser que sim, se o universo deve sua criação a alguma força inimaginável causada por uma inteligência infinita. Pode ser que não, se essa formação do universo não teve uma causa inteligente. No entanto, mesmo que Deus exista e tenha dado causa ao universo, eu não aceito a ideia de que Deus que nos é transmitida por qualquer religião antiga, existente ou que venha a ser formulada no futuro. Digo isso porque a nossa insignificância é tamanha no universo que não teríamos jamais capacidade de entender a natureza de Deus, o propósito que o levou a criar o universo e a finalidade da evolução do ambiente e dos seres vivos até surgir a inteligência e tudo o que porventura nos reserva o futuro.
Como terminei o artigo em meu blog:

"Temos que reconhecer Deus como algo tão inconcebivelmente inteligente, tão imensamente poderoso e tão inacreditavelmente diferente de tudo o que a nossa mente finita pode imaginar que é pura perda de tempo e motivo para antagonismo, massacres e exploração aceitar e tentar difundir ou impor dogmas, as afirmações básicas e inegáveis de qualquer religião, sejam elas o céu, o inferno, o pecado, o diabo, a reencarnação ou qualquer outra.
Cada um deve viver de acordo com seus princípios de honradez, honestidade, caridade, tolerância e tudo mais que lhe tenha sido transmitido através das gerações como valores positivos apenas porque você acha que isso é a maneira certa de se comportar e não porque tem medo de Deus, do castigo, do Karma ou do inferno."

Recuso-me a aceitar qualquer dogma ou axioma imposto como verdadeiro por ter origem divina e inquestionável. Por isso, nunca me interessei em ler ou interpretar a Bíblia ou qualquer outro livro sagrado e procuro pelo raciocínio abstrato tirar algumas conclusões do que pode ou não ser verdadeiro, embora saiba de antemão que jamais chegarei ou chegará a humanidade a uma conclusão científica sobre o assunto. A ciência poderá descobrir como, mas nunca poderá saber se existe um porquê.

Não aceito que Deus seja um ser antropomórfico com qualidades e defeitos humanos, com a ira de Jeová ou o amor do Deus cristão. Não aceito sentimentos, impassividade ante sofrimentos de inocentes para pôr à prova a fé das criaturas ou a apreciação de orações, procissões, homenagens que satisfariam a vaidade de um humano mas característica inaceitável para Deus. Considero que isso não passa de prosopopeia. Isso quanto a Deus.
Já quanto à existência de Jesus, também não sei se ele realmente existiu como ser humano ou se foi apenas uma figura mitológica criada pela imaginação. Mesmo que tenha existido realmente, não acredito nos fatos narrados na Bíblia sobre a sua vida e os milagres que produziu. Não acredito em sua gestação por uma virgem, o fato de ser descendente de David e de ter nascido em Belém apenas porque as profecias assim previam que aconteceria a chegada do messias. Não acredito que tenha curado doentes, multiplicado pão, peixes e vinho, que tenha ressuscitado Lázaro, que tenha ele próprio ressuscitado e ascendido aos céus.
Mas admito que pode, sim, ter existido um homem chamado Jesus, filho de José e de Maria e que nada se sabe sobre sua juventude até que aos trinta anos passou a pregar uma nova filosofia muito mais avançada e melhor que aquela que era vigente no seu tempo dentro de sua comunidade. Nas proximidades existia uma comunidade chamada de "os essênios" e não explicarei aqui o que eram para não prolongar demais o comentário. Veja na Wikipedia sobre o termo "Essênios". Parece que essa comunidade judaica era bem diferente das demais e que até mesmo a mãe de Jesus e Maria Madalena teriam sido "Mestras da Justiça" desta seita. Pode muito bem ser que Jesus tenha sido criado em sua juventude nesta seita, absorvido seus ensinamentos e sua filosofia, a qual passou a pregar para as demais comunidades judaicas. Infelizmente, nada do que foi dito ou ensinado por Jesus ficou anotado por escrito e foi passando de boca em boca até começar a ser escrito em pergaminhos dezenas de anos depois de sua morte. Isso certamente alterou muito os fatos e os concílios de Niceia e de Constantinopla posteriores fizeram uma seleção das partes que lhes interessava e esconderam ou modificaram o que era prejudicial.
Mas realmente não interessa o que realmente aconteceu; se Jesus foi apenas um mito ou realmente uma pessoa real que pregou uma nova filosofia. Isso será sempre uma questão de fé. O que realmente me interessa é a imagem que ficou de um ser humano excepcional, muito sábio e de bons sentimentos, que procurou melhorar a parte da humanidade que conhecia e nos deixou excelentes ensinamentos. Eu admiro e reverencio essa imagem, mas não posso saber se é ou não verdadeira.
O que me interessa é seguir seus ensinamentos porque acredito que sejam corretos.
Um abraço,

      Alzir Fraga

sábado, 22 de setembro de 2012

CRUELDADE COM ANIMAIS


PROGRAMA PEDRO BIAL

Quinta-Feira 23/08 no programa Na Moral, a "doutora" Janaína Paschoal se mostrou especialista ao extremo em desdenhar crueldade animal,fazendo comparações sem sentido entre animais e crianças. "Então se uma marquise cair em um cão e uma criança terá que salvar o cão por causa do novo código e deixar a criança morrer".

Bom,se eu fosse ir por essa linha de pensamento,fazendo esse tipo de comparação ridícula e desnecessária com as novas leis,seria isso abaixo:

Se uma marquise cair em uma criança branca e uma negra,terei que salvar a negra para não parecer racista e ir presa pelo novo código?

Se uma marquise cair em um homossexual e um hétero? Terei que salvar o homossexual porque senão irei presa como homofóbica?

Se se uma marquise cair em um homossexual e um negro?Qual salvo para não ser taxada preconceituosa?

Outras comparações:

Se uma marquise cair em uma criança de 6 anos e um bebezinho,salvo quem?A criança de 6 anos que já tem sua racionalidade,sabe distinguir o sofrimento ou o bebê?Que não tem racionalidade nenhuma formada?

Se uma marquise cair num idoso e uma criança,qual salvo?

São comparações absurdas,inexistentes,ridículas. Não podemos rotular uma vida. Salvamos os dois é algo de impulso na hora e não premeditado,quem irei salvar!

Algumas pessoas tem o velho discurso desgastado "Com tantas crianças sofrendo e estão querendo ajudar animais". Está cansativo esse discurso. Então,porque as crianças sofrem,devemos deixar animais serem espancados, estuprados, queimados vivos como se isso fosse normal? Temos que escolher para quem dar nossa bondade e compaixão? Ou crianças ou animais? Isso é absurdo! Uma pessoa realmente compassiva não se cala diante de covardia nenhuma, de abuso nenhum, seja de qualquer ser.

Discursos como esses mostram a personalidade doentia da sociedade, onde sou obrigado a escolher quem não deve sofrer. Sofrimento é sofrimento. Crueldade é crueldade. Seja numa criança, num cão, num idoso, numa mulher, num homem, numa vaca, num porco e qualquer outro ser que tenha sistema nervoso central, sensibilidade a dor, fome, sede, frio, medo, angústia e todas as sensações.

Animais não tem culpa das crianças passarem fome, não tem culpa de políticos estarem roubando. São tão vítimas como nós. Pior até, pois eles vivem no inferno da vulnerabilidade a vida toda. Sem poder trabalhar para se sustentar, abrir uma torneira para matar a sede, fazer uma comida para matar a fome, ir a um hospital quando estão doentes, falar para pedir ajuda e denunciar um crime. Comparando com crianças, são iguais!

Estamos numa sociedade doente onde tudo é um "show televisivo", onde sofrimento de um ser é tomado como ridículo, onde leis contra racismo e homofobia são "ainda" discutidas!

Pelo que notei, se depender dessas pessoas, animais, negros e gays tinham que ser banidos do planeta. Horrível, hediondo esse tipo de discussão. CRIME É CRIME e tem que ter punição. Seja de racismo, homofobia e crueldade animal. Pois ambos sabemos bem onde vai parar né? Em espancamentos e mortes!

Agora eu pergunto: Se salvo um animal covardemente agredido(como foi o caso de uma cadelinha idosa que resgatei de uma agressão e está comigo há 6 meses) sou louca? Eu seria uma pessoa normal mentalmente se passasse, visse a agressão covarde e não fizesse nada? Onde está a ética disso? É um dever moral ajudar! Enquanto estou aqui escrevendo, milhares de animais estão sendo espancados e estuprados, milhares de crianças estão sendo estupradas e também espancadas, milhares de idosos estão sendo espancados e talvez estuprados também. E toda essa crueldade feita por uma só espécie... A HUMANA. Tem que existir ativistas para todas as causas. Ajudaria só as crianças? E os idosos e animais? Ajudaria só os animais? E os idosos e crianças? Não existe uma causa menor que outra onde há violência e crueldade. É amoral fazer escolher quem tem direito a vida, quem tem direito a ser salvo! Esse tipo de assunto jamais haveria de ter debates e sim INCENTIVO a ajudar os mais fracos e vulneráveis!

Aterroriza-me saber que vivo em meio a uma sociedade que acha normal um ser humano espancar e assassinar animais de formas mais cruéis possíveis e ainda fazerem discurso como se isso fosse insignificante. Doentio não? O mesmo homem que irá queimar vivo, estuprar e espancar um animal, é o mesmo que irá fazer o mesmo numa criança. Sem diferenças! Aqui não estou discutindo quem é mais, criança ou animal. E sim o ato de covardia, crueldade e sadismo. Numa criança ou em um animal o efeito é o mesmo! Minha irmã de 6 anos assassinada brutalmente é uma prova disso! O que essas pessoas não entendem é que assassino é assassino, seja de uma criança ou de um animal.

Os mesmos atos brutais que foram usados para assassinar minha irmã de 6 anos de idade, eu vejo sendo cometidos com animais, todos os dias. E esses são tão inocentes quanto ela. A cada animal inocente como uma criança, assassinado cruelmente, é ela que vejo. Pois alguns são mortos exatamente como ela foi. As mesmas maneiras,acreditam?

Então queimar um animal vivo pode? Uma criança não? Estuprar um animal pode? Uma criança não? Espancar um animal até a morte pode? E uma criança não? Loucura isso! A pessoa que vai queimar e estuprar um animal é a mesma que fará com uma criança. Não existe diferença em um psicopata assassino, que sente prazer em infringir dor. Sociedade totalmente doente mentalmente a nossa.

Muita hipocrisia fazer discurso em defesa de crianças e idosos que são abusados sexualmente, espancados e deixados sem cuidado, sem comida, mas acharem que leis para protegerem animais das mesmas crueldades não são necessárias.

"As pessoas estão abaixo de Deus e oram pedindo misericórdia. Mas os mesmos não tem misericórdia com o que está abaixo deles". (esqueci o autor)

Abraço Cristina Reis

-------- A mente das pessoas realmente é doentia....Estamos lutando contra crueldade animal por compaixão e amor a todos os seres. Pois os mesmos possuem sistema nervoso central e justamente por isso, sentem todas sensações que sentimos, TODAS! Mas,os doentes mentalmente,acham que odiamos crianças, que se virmos alguém espancando um bebê vamos deixar e aplaudir. Que não temos filhos, sobrinhos e nem crianças na família. Somos seres totalmente desprezíveis com crianças, ao ponto de deixá-las morrer de inanição, como algumas dessas pessoas fazem o mesmo com animais. Na verdade acredito que se projetam... Como eles agem dessa maneira com animais, acham que iremos fazer o mesmo com crianças!

domingo, 26 de agosto de 2012

MEU PAI


  EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS 101 ANOS DO NASCIMENTO DE GARIBALDI CELESTINO FRAGA





De 3 de setembro de 2011 a 2 de setembro de 2012, nosso pai teria 100 anos. Na semana final desse período em que se comemora  o seu centenário de nascimento, Arizla deu a ideia de uma edição especial em homenagem a ele.

Eu pretendia colocar aqui uma foto só do papai, mas todas as fotos em que ele apresenta muita felicidade são aquelas em que ele está junto com a mamãe. Acho que nem mesmo a morte teve poder para separá-los.


GARIBALDI CELESTINO FRAGA
MEU PAI

                                                                                                   ARIZLA FRAGA DE SOUZA

           Alguns nomes e ocasiões me vêm à lembrança quando penso em meu pai.
    Quando morávamos na Rua Vitor Meireles (no Riachuelo), ele organizava uma apresentação na sala de jantar.  Uma vez, o Ado se apresentou coberto com um lençol como se fosse um fantasma.  Lembro que papai, para dar mais emoção à cena, anunciou: “- Olha o fantasma!” e o Ado saiu correndo assustado com ele mesmo.          Quando eu era pequena, ele parou de fumar e, para ajudar nisso, tinha sempre no bolso do paletó uma caixa de chicletes.  Eu sempre mexia nos bolsos à procura dos chicletes.          Era chamado de Tchelé (de Celestino) pelos irmãos.  Além dele, tinha o Ticandó (Tio Antônio), o Tio João, a Tia Mia e a Tia Elvira (todos filhos da vovó Tereza, a quem também conheci).          Ainda na Rua Vitor Meireles (tarde da noite), voltávamos da Fraternidade andando e conversando no meio da rua, junto com Seu Emiliano e a Dona Celina, além de Seu Preard e Dona Lurdes que eram nossos vizinhos.Participamos, na década de 40, de um acampamento em Araras, organizado pela Associação Cristã de Moços (ACM).  Fomos papai, eu, Zico e Santa (filha de tio Oscar e tia Dulce).  Era Carnaval e nos divertimos muito.Dormíamos em barracas; homens em umas e mulheres em outras. Quando atrasávamos na hora das refeições, tínhamos que correr em volta das mesas enquanto todos batiam com os talheres na mesa. Participamos de várias competições; lembro que o Zico ganhou uma competição de tiro ao alvo.  Foi muito bom!Papai nos levava, nessa época, para ver o Carnaval na Avenida Rio Branco. Íamos no carro do Chico e levávamos confete e lança-perfume.  Chegamos a ver o Cacique de Ramos passar (Na época, era um bloco grande, mas pequeno se comparado com o bloco de hoje)          Mudamos para perto da Fraternidade primeiramente para a Estrada Velha da Tijuca e, depois, para a Rua Muçu, onde construiu a casa onde fomos morar ( projeto do arquiteto Benjamim de Carvalho).          Papai parecia o chefe de uma tribo quando saía com todos os filhos.  Para atravessar a rua, ficávamos, lado a lado, na calçada.  Ele no meio de nós, com os braços abertos, atento, ordenava à tribo: “VAMOS!!!”  Bem teatral...          Na Fraternidade, papai se destacava pela inteligência e pelo poder de prender a atenção de todos ao falar sobre a doutrina, lá na frente.  Era verdadeiramente brilhante!!!Papai costumava ir frequentemente a Brasília, de avião. Acho que era para entrar com recurso, em causas já julgadas no Rio. Demorava de 2 a 4 dias para voltar. Uma vez, levou o Ricardo com ele (acho que foi para Belo Horizonte).          Lembro-me de seus ternos brancos de linho (impecáveis) que usava para ir à Fraternidade.  Saía tão bonito e cheiroso que a vovó ficava desconfiada.  “Isso tudo é só para rezar?”, sussurrava.          Era vegetariano e sentava-se à mesa para almoçar com alegria.  “Eu adoro bertalha”, dizia como se fosse uma iguaria dos deuses.          Sempre esquecia o guarda-chuva no ônibus para o trabalho.  Ficava fácil comprar presente para ele: era sempre um guarda-chuva novo.          Seus espirros eram escandalosos (era alérgico...) ecoavam pela casa toda!

          Aprendeu a dirigir já adulto.  Não era bom na direção.  Mamãe não tinha confiança nele como motorista e contava que, dirigindo com o vidro do motorista fechado, tentava virar à esquerda colocando a mão pra fora da janela.Em 1951, participamos (papai, eu e um grupo da Fraternidade) de uma “Cruzada” para divulgar a Doutrina Rosacruz.  Fomos de navio (levando os carros) até Porto Alegre e voltamos de carro fazendo palestras em várias cidades.          Todos os filhos torcem pelo Fluminense, já que papai era tricolor (inspirado nas cores da bandeira italiana). Em casa, não mandava em quase nada.  Tudo era mamãe que resolvia: escola, criança doente, organização da casa, etc.          Aos domingos pela manhã, tirava os livros da estante e os colocava na varanda para arejar.  Enquanto fazíamos isso, escutávamos músicas italianas cantadas, entre outros, por Benjamino Gigli, Enrico Caruso e Mario Lanza.  As que me deixaram lembranças foram: O sole mio, Una furtiva lagrima, Torna a surriento, La donna è mobile, Tosca, Funiculì funicolà, Vesti la giubba, Ti voglio tanto bene, Volare e Ridi pagliaccio.          Quando entrava mais dinheiro, era um mão aberta; mas quando a situação apertava, perguntava à mamãe: “Mas eu não trouxe dinheiro outro dia mesmo?”.          Papai me ajudou a comprar um apartamento no prédio em que moro.  Papai pagava ½ prestação, eu (já trabalhando) pagava ¼ e Adolpho (trabalhando e fazendo faculdade) pagava ¼.  Depois compramos outro no mesmo prédio.  Um apartamento ficou para nós e outro para o papai. Depois trocamos o nosso pela cobertura.  Ele nos ajudou bastante agindo assim. A firma que estava construindo o prédio faliu . Papai formou uma comissão de moradores para terminar a obra; era o chefe dessa comissão e chamou o Dr. Carvalho para cuidar da parte técnica. Graças a ele, 68 famílias conseguiram terminar seus apartamentos.          Quando fomos para São Paulo, em lua-de-mel, e papai nos levou até o embarque no trem noturno, recomendou cuidado comigo ao Adolpho.  Estava preocupado, pois era a primeira filha que casava.          Seus interesses eram o bem estar da família, o trabalho e os assuntos esotéricos.  Procurava, depois que saiu da Fraternidade, conhecimentos em outras filosofias.  Chegou a frequentar a Igreja Messiânica e fazia yoga com o Professor Hermógenes. Não sei se desenvolveu algum poder de cura, mas mamãe dizia que ao tocar a testa dela, com as suas mãos, a dor de cabeça sumia.  Brincando, talvez, dizia que ele aplicava Johrei.  Estava no primeiro ano ginasial e encontrei, no final da aula, uma caneta esquecida sobre a mesa da professora. Peguei e levei para casa. Papai viu que tinha um nome gravado na caneta. Só lembro do sobrenome Amado. Era a mulher (como advogado, papai dizia que era essa a palavra certa  em vez de esposa) de Gilson Amado, diretor ou professor no Colégio Pedro ll  (família muito respeitada no meio intelectual) Através do catálogo telefônico, papai entrou em contacto com a professora e a caneta foi devolvida. Não brigou comigo, apenas fez o certo. Essa foi a melhor lição na minha vida: a formação do caráter.          Lembro-me de algumas vezes em que reclamou:·       A bronca que levei quando, toda exibida, desci a escada da sala usando um maiô igual ao da Marta Rocha (Miss Brasil), e o maiô tinha até sainha na frente;
·       A indignação ao chegar a casa e ver a Rosa namorando o Marcus na varanda, “... e era ela que estava agarrando!”;
·       Quando o Zico trabalhava no escritório com ele e se atrasava em chegar, ligava pra casa e perguntava à mamãe: “Cadê o seu filho?” Desculpa, nessas ocasiões o Zico era o “filho da mãe”.  Não se preocupe, nas outras era motivo de muito orgulho, era o “meu filho”.
          Ganhou dois presentes em datas muito especiais: a primeira neta (Mônica) que nasceu na véspera do seu aniversário e o primeiro neto (Adolpho) nascido no dia do aniversário de casamento (24 de fevereiro).          Por algumas pessoas tinha um carinho especial:
  • Tio Oscar.  Era como um irmão para ele.  Tio Oscar era lacerdista e papai era getulista (costumava ir à Bauru defender o Sindicato dos Ferroviários).  As divergências (pacíficas) eram frequentes.  Com Tio Oscar e Tia Dulce, nossos pais foram, de navio, até Manaus.  Adoraram!
  • Seu Diamantino e Seu Diniz: eram irmãos e frequentavam a Fraternidade. Costumavam almoçar, muitas vezes, lá em casa.
  • Dr Pedro: era seu sócio e vizinho na Rua Muçu.
  • O primo Chico: dono de uma sapataria onde nos levava, ainda pequenos, para escolher sapatos (acho que em troca de serviços de advocacia).
  • Augusto: amigo feito na Associação Cristã de moços (onde andou fazendo ginástica).
          Algum tempo antes de morrer, papai perdia sangue pelo nariz e, embora hoje seja aviso de pressão alta, não se dava nenhuma importância a isso.          Também Dr Waldir, que na época era seu sócio, falava que papai vivia “dando chute na canela dos outros”.  Andava intolerante, e isso não era normal.          No dia em que morreu (meu aniversário) fomos todos almoçar na casa.  Depois do almoço, os genros (todos vascaínos) foram ao Maracanã assistir Flamengo X Vasco.          Mamãe me ligou à noitinha, e pediu que chamasse uma ambulância.  Fiz isso, peguei o carro e fui para lá.  Encontrei papai caído no chão do escritório, desacordado e se debatendo.  Mamãe e Dr Pedro estavam ao seu lado.  Quando parou de se debater, Dr Pedro disse para nós: “- Agora está tudo bem” e eu sabia que não estava.Morreu em 13 de junho de 1976, aos 64 anos, em consequência de um AVC, pois colocou a mão na testa sinalizando dor forte.          No seu enterro havia muitas pessoas.  Lembro que até Miro Teixeira (que já era vereador ou deputado) estava lá.  Era amigo do Tio Antônio (que também era MDB).Ricardo estava inconsolável (chorando muito).  Cheguei perto dele e falei que papai preferiria que nós nos mantivéssemos calmos.  E assim ele ficou.          Lembro-me da tristeza de ver mamãe sentada, sozinha, na varanda.  Lá ficavam os dois sentados sempre conversando.  E, ao escrever isso, meus olhos estão cheios de lágrimas (pela terceira vez).          Era um amor lindo que começou quando ele, fazendo Faculdade de Direito, ajudava o pai sapateiro.  Só se formou depois de casado.          Após 40 anos de casados nunca os vi brigando ou discutindo, nem ao menos ouvi uma palavra mais ríspida entre eles. Quando saía para o trabalho, mamãe o acompanhava com os olhos, da varanda, até ele dobrar a esquina da Rua Muçu.  Então davam um adeusinho.  Como se fossem dois namorados...          Não se chamavam pelos nomes, ele era “Bem” e ela era “Minha”.São lembranças fortes.  Lembro-me de muitas coisas, pois, como tive o privilégio de ser a primeira entre os seis irmãos a nascer (o que também tem seus inconvenientes como rugas e vista cansada, talvez antes dos outros irmãos), tive mais tempo de conviver com ele.








GARIBALDI CELESTINO FRAGA
MEU PAI

ALZIR CARVALHAES FRAGA


A Arizla já disse tudo. Ela foi a que mais conviveu com nossos pais e acredito que também seja a de melhor memória. Eu gostaria muito de dizer que fui um bom filho, que só dei alegria e motivos para o orgulho de meus pais, mas, infelizmente, não estaria falando a verdade. Fui um garoto travesso, vivia fazendo coisas erradas e era muito levado. Apesar disso, meus pais sempre me trataram com extremo amor, carinho e compreensão. Não chegava a ser tão ruim quanto o Pedrinho, filho do vizinho, o qual fazia maldade com animais e chegava a matar gatos usando meios cruéis. Era apenas criança e fazia coisas erradas próprias de crianças e depois que cresci acho que dei motivos de orgulho a minha mãe e, principalmente, a meu pai.
A lembrança mais antiga que tenho de papai é quando todos nós tomávamos um carro e íamos à sapataria do Chico (Francesco Pugliese), primo do papai. Papai era advogado dele e, ao invés de cobrar honorários, ocasionalmente renovava o estoque de sapatos da família inteira. Era uma farra. Ao contrário da família do Adolpho, na qual todos queriam ir junto à janela, nós queríamos todos ir no banco da frente. Penso que Seu Adolpho deveria comprar um carro bem estreito e comprido, com bancos de apenas dois lugares, enquanto o papai deveria optar por um carro bem largo, de um banco só para que todos pudessem ir na frente.
Lembro-me também de nossas idas à Fraternidade, todo mundo vestido impecavelmente de branco e fazendo pose para as fotos segurando o coração. Em uma ocasião, a Fraternidade comprou uma mesa de ping-pong e papai participava alegremente das partidas, enquanto eu acho que era muito pequeno para isso. Por esta ocasião, papai tinha decidido me dar pela primeira vez uma mesada, ou melhor, uma semanada. Ele me prometeu dar uma moeda de dois cruzeiros todos os domingos. Para ele isso podia não ser nada, mas para mim era muito importante e eu fui cair na besteira de pedir a minha moeda justamente quando papai estava participando de uma das partidas. Para que? Ele ficou nervoso e soltou logo um “Não é possível! Você vem me pedir o dinheiro justo agora que eu estou jogando? Minha, tome conta do seu filho para ele não ficar nos perturbando”. Esta é a primeira bronca de que eu me lembro.
Papai tinha pendurado em um prego na sala um quadro no qual constavam os retratos de todos os que se formaram com ele na Faculdade de Direito. Uma vez eu quis ver essas fotos de perto, mas era pequeno e, por isso, resolvi escalar a porta que ficava perto do retrato. Não fiquei sabendo quem foi, mas alguém entrou enquanto eu estava em cima da porta e eu despenquei no chão, quebrando o braço. Levaram-me ao Dr Eiras (não o psiquiatra, mas o clínico geral que frequentava a Fraternidade). Ele colocou o osso no lugar, mas não tinha gesso e encanou com pedaços de papelão. Fui levado depois a um ortopedista, mas ele disse que o imporoviso estava tão bem feito que ele preferiu não mexer.
Outra travessura de que me lembro foi quando ainda morávamos na Rua Vitor Meireles. Tínhamos uma vizinha que, aliás possuia um cachorrinho chamado Guará (mesmo nome de um refrigerante de laranja da época) e nós costumávamos provocar a vizinha cantando a música de propaganda do refrigerante com a letra modificada:
“Guará, Guará, Guará...
Bicho mais feio não há.”
Um dia, ela tinha juntado com o ancinho as folhas de seu quintal e tacou fogo no monte. Eu, como curioso e bom alpinista, subi no muro divisório para ver a fogueira. Chegei perto e, de repente, despenquei de novo lá de cima e fui cair exatamente dentro da fogueira! Coitada da vizinha. Levou um susto enorme, me tirou das chamas e levou para deitar em uma cama, além de passar arnica no meu peito e minhas costas. Ela era boazinha.
Na Rua Vitor Meireles, papai costumava colocar cadeiras na calçada quando caía a noite, principalmente nos dias mais quentes e ficavam sentados conversando e vendo a gente brincar. A Arizla, mais moleca, jogava bola com os meninos e brincava de “bandeira”, com os times tendo por objetivo pegar a “bandeira” do time adversário e trazê-la para o nosso território. Quando alguém invadia o território alheio, tinha que fugir dos inimigos, porque se um adversário encostasse em você, você ficaria “colado” no lugar e só poderia se libertar se algum colega do seu time chegasse até onde você estava de encostasse em você.
Lembro ainda quando terminei o curso primário e frequentei um ano o curso de admissão no Colégio Pardal Pinho, onde a diretora era a proprietária do curso e nós a chamávamos de “Dona Pardaloca”. Eu até que não era dos piores alunos, mas estava longe de ser um dos melhores. Mamãe não conseguia entender porque eu sempre escrevia a palavra “guerra” omitindo a letra “u”. Era Gerra Cisplatina, Gerra do Paraguai, etc. Talvez essa minha falha tenha influído quando me inscrevi na prova de admissão em dois colégios: O Colégio Militar e o Colégio Pedro II. Primeiro foi a prova do Colégio Militar. Fiz a prova e o papai foi saber o resultado, recebendo a notícia de que eu tinha feito boas provas nas demais matérias, mas tinha sido reprovado em História. Papai, sempre muito simpático, amistoso e conversador, explicou que temia mesmo que isso acontecesse, porque eu não gostava do professor de História do curso Pardal Pinho.
Como não tinha passado, voltei ao curso para continuar estudando para a prova de admissão ao Colégio Pedro II. Quando chegou o dia da aula de história, o professor me chamou e disse que ele era major e professor de história no Colégio Militar. Disse que tinha conversado com o meu pai e que meu pai tinha dito que eu não gostava dele. Fiquei calado, completamente paralizado e sem saber o que dizer. Eu só queria abrir um buraco no chão para desaparecer dali. Felizmente fui aprovado no admissão do Pedro II.
A entrada no colégio era às sete horas da manhã e nós morávamos no Alto da Boa Vista. Ainda estava escuro quando a mamãe ia até à cama, tirava meus pés de sob o cobertor, colocava as meias e só então me acordava. Eu me vestia, descia para tomar café e, quando ouvia o barulho de que o bonde já estava descendo, descia as escadas da casa correndo desabaladamente. Quando acontecia de chegar ao portão e ver que este estava fechado à chave, eu subia uns lances de escada, passava em cima da garagem e pulava a grade para cair lá em baixo na rua. Ainda tinha que correr até ao armazem que havia no início da Rua Muçu, porque a parada do bonde era lá. Descia até à Usina e pegava o bonde Tijuca, que me levava até ao centro da cidade onde era o colégio. Quando essa correria me fazia esquecer a gravata do uniforme, eu costumava fechar o agasalho até ao pescoço para passar no portão do colégio sem ser barrado.
Quando entrei para o Pedro II, tinha onze ou doze anos e meus pais me matricularam na Aliança Francesa, mas eu detestava Francês. Mais tarde cheguei a estudar grego por três anos para fugir do Francês. Eu tinha tal aversão ao Francês que comecei a “matar as aulas” no curso enquanto ficava zanzando pela rua. Um dia telefonaram lá da Aliança Francesa e perguntaram à mamãe o motivo de minha ausência prolongada nas aulas. Eu devia ter levado uma surra, mas ficou só na lição de moral e eu saí do curso.
Criei outros problemas e preocupações para papai e mamãe. Uma vez eu fui ao cinema com o Walter, irmão do Adolpho. Era um filme de faroeste e, quando o mocinho beijou a mocinha, o Walter tirou do bolso uma gaita e tocou no cinema escuro. Todo mundo riu e eu batí palmas e com os pés no chão. Vi que tinha quebrado alguma coisa, fui tatear, descobri que era algo líquido e as minhas mãos estavam brilhando no escuro. Mostrei ao Walter e saímos da sala de projeção, onde me colocaram com as mãos no bebedor de água para lavá-las. Mas o caso é que. Enquanto eu ia andando no corredor da sala escura, iam ficando pelo caminho pegadas luminosas. O lanterninha achou que era fogo e tentou apagar com o casaco. Perdeu um casaco nesse dia. Não sei quem tinha deixado a cápsula de ácido fosfórico no chão, mas os espectadores ficaram furiosos, achando que eu tinha iniciado um incêndio. Todo mundo gritava e até o Antonio, outro irmão do Adolpho, estava na sessão separado de nós e gritava junto com a multidão: “Lincha, lincha...”, mas, quando ele viu que era eu, corrigiu logo “Não lincha não que é o Zico!”. Fui atendido no Pronto Socorro e tive as mãos enfaixadas com gaze. Quando cheguei em casa, mamãe estava na varanda e eu brinquei com ela “Mamãe, comprei luvas de box”. Ela calmamente fez um sinal mandando subir.
Em outra ocasião, saindo do colégio eu atravessei a Av. Getúlio Vargas, mas não vi um bonde que se aproximava e fui jogado no chão, paralelo ao trilho. A maior sorte. Se tivesse caído enviezado, a roda teria me cortado em dois e se estivesse com os braços ou as pernas abertas, teria um ou ambos os membros deste lado amputados. Não sofri nada até que, no final do estribo, tinha alguma peça de metal que me fez um corte na nádega.
De novo no Pronto Socorro, onde recebi os pontos no corte. Uma semana depois, foram retirados os pontos e o corte reabriu. Papai teve que me levar para um hospital particular onde recebi anestesia geral e eles limparam o ferimento para costurar de novo. Correu tudo bem, mas, quando eu acordei, não podia levantar a cabeça porque me sentia terrivelmente mal e queria ficar na cama. Mas o papai me explicou e insistiu que nós tínhamos que sair dali agora, porque senão ele teria que pagar mais uma diária do hospital e ele não tinha dinheiro para isso. Papai me pegou no colo (eu tinha doze anos) e me levou até um carro e depois subiu as escadas do pédio até ao terceiro andar comigo no colo.
Todos nós respeitávamos muito nossos pais. Podíamos chorar, mas nunca falar com eles em tom desrespeitoso. Só nos referíamos a eles como “Senhor” e “Senhora”, não é como agora em que pai e mãe são “você” ou até “Pai, tu vai pra casa?”. Se algum dia eu vier a reencontrá-los, continuarei a tratá-los por “Senhor” e “Senhora”.
Quando já estava na faculdade, nós tivemos um contato muitíssimo maior e aí é que eu pude realmente conhecê-lo muito melhor. Ele era a pessoa mais simpática e bem relacionada que eu já vi. Quando nós saíamos do escritório para ir ao forum, em cada esquina ele encontrava um conhecido e parava para conversar. Conhecia todo mundo! Sempre, nas sexta-feiras, ele ia almoçar com os irmãos Tranjan em um restaurante árabe na Rua Senhor dos Passos. Algumas vezes eu fui junto. Eu reclamava com ele porque cobrava barato demais, mas eles eram mais que apenas clientes. Eram amigos. Eles eram proprietários de um andar inteiro de um edifício da Av. Presidente Vargas. Esse andar estava alugado para uma repartição pública federal e a burocracia fazia com que sempre o aluguel custasse a sair até que nós entrávamos com a Ação de Despejo por falta de pagamento. Eles pediam para purgar a mora (pagar o que era devido) mais as custas do processo e 10% de honorários para o advogado dos Tranjans (nós). Um dia o papai chegou orgulhoso me contando que tinha resolvido aquela situação e que agora não iria mais ocorrer qualquer atraso no pagamento do aluguel. Eu fiquei muito P da vida. “Papai, nós recebíamos todos os meses 10% (dez por cento) de aluguel de um andar inteiro e agora, se não houver atraso, nós não ganharemos nada!”. Infelizmente, foi isso mesmo que aconteceu.
Houve uma vez em que o meu primo Sérgio (filho da Tia Mia) tinha sido condenado pelo juiz em primeira instância em um processo criminal e estava preso. Papai fazia a defesa, mas não conhecia direito penal. Quando chegou o dia do julgamento de nossa apelação no Tribunal de Justiça, embora eu ainda não estivesse registrado na OAB, eu podia assinar petições e participar de sessões desde que juntamente com um advogado. Fui eu quem fez a defesa oral perante os desembargadores. Falei sobre hermenêutica, técnica de interpretação da lei, as provas e também apelei para o lado sentimental. Revelei aos desembargadores que o apelante era meu primo e que eles tinham nas mãos a oportunidade de salvar a recuperação de um jovem (Sérgio) e de manter o amor ao direito e a fé na justiça de outro jovem (eu).
Quando eu terminei, papai estava conversando com um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (Evandro Lins e Silva) que tinha sido cassado pelos militares. Ele tinha escutado a minha defesa e tinha elogiado muito a minha atuação para o papai, vaticinando que eu viria a ser um advogado de sucesso. Papai estava “explodindo de orgulho”. Quase chorava. Depois veio o resultado do julgamento. Perdemos, droga!
Trabalhando no escritório com papai eu percebi logo que não levava jeito para ser advogado. Quando aparecia alguém trazendo um caso, normalmente essa pessoa já estava mais informada sobre seus direitos do que nós, que não sabíamos nem do que se tratava. Eu não sabia demonstrar segurança, enrolar e depois ir procurar nos livros sobre o assunto. Não tinha a simpatia dele, não tinha como criar um grande círculo de amigos e clientes e, principalmente, não tinha paciência para aturar juízes, promotores e clientes. Uma vez, defendendo um caso de família em que o juiz tinha estabelecido uma pensão provisória em valor maior do que o nosso cliente ganhava, eu lhe disse para esperar chegar o dia da audiência e que trouxesse todos os comprovantes para que o valor da pensão fosse diminuído. Chegou o dia da audiência, eu entreguei ao juiz os comprovantes de renda comprovando isso, mas o juiz disse mais ou menos: “Que nada! Os maridos sempre arrumam um jeito de conseguir esses documentos fajutos para fingir que ganham menos. Você vai ter que efetuar o pagamento agora de todos os atrasados ou eu vou te dar voz de prisão e você vai direto para a cadeia”.
O cliente ficou, claro, muito nervoso e eu também. Argumentava mas o juiz não respondia com argumentos, mas só com suposições, deboche e ameaças. Até que chegou uma hora em que eu não aguentei mais, levantei-me da cadeira, disse que estava passando mal e sem esperar resposta retirei-me da sala e fui chorar no corredor, de tão revoltado com a injustiça. Depois de algum tempo, voltei ao local e um advogado me disse que ele mesmo tinha assumido a causa e tinha negociado um acordo, mas que eu deveria voltar para assinar o acordo. O Juiz estava furioso comigo, disse que aquilo era desacato e que ele só não tinha me prendido porque o outro advogado tinha se oferecido para continuar a audiência. Na verdade, eu acho que ele também ficou com medo das consequências, porque a Ordem dos Advogados iria tomar a minha defesa quando eu contasse o motivo de minha atitude.
Nunca tive paciência para ficar conversando com clientes. Eu gostava era de escrever petições e arrazoados analisando os processos. Briguei com vários clientes e, quando o Tranjan resolveu vender os apartamentos que tinha alugados na Taquara, um dos compradores era o casal de pais da Nicinha, minha atual mulher. Seu Sebastião e Dona Eunice faziam quase uma viagem para vir de Jacarepaguá até ao centro da cidade e, quando chegavam na porta do escritório e viam que só eu estava lá para atender, diziam logo entre eles: “Dr Fraga não está. Vamos embora porque quem está atendendo hoje é o nojento”. No dia da assinatura da escritura eles levaram a filha de dezesseis anos de idade junto e eu fiquei logo muito bonzinho e simpático. Isso foi no início do ano e quando este mesmo ano chegou ao fim, nós já tínhamos voltado da lua de mel.
Como queria fazer um concurso, resolvi entrar em um curso para não parar de estudar e tive professores como Heleno Fragoso em direito penal e Aguiar Dias em responsabilidade civil. Aguiar Dias era o papa neste assunto e seu livro de dois volumes era a Bíblia em toda a América Latina. Um dia, ele estava explicando um assunto e eu disse que não tinha entendido, porque me parecia que contrariava outra parte. Ele explicou novamente, mas usando os mesmos argumentos. Fui sincero e mostrei porque não achava a explicação satisfatória. Ele prometeu rever o assunto e trazer a explicação na próxima aula. Na próxima aula, ela foi logo dizendo que eu estava com a razão. Havia uma contradição entre esta parte e outra que regulava de modo diferente. Disse que isso iria constar da próxima edição de seu livro e fez questão de me dar uma declaração em que me elogiava e vaticinava para mim um futuro brilhante na carreira. Quando eu mostrei para o papai esse documento (que guardo até hoje), senti pela segunda vez o seu sentimento de orgulho.
Houve um ano em que papai resolveu realizar uma festa de fim de ano no escritório da Rua da Quitanda. Compareceram o Nicolino e outros. Havia bebida e todos já estavam um pouco altos. Quando homens se juntam, cada um quer contar mais vantagem que os outros. Começaram a elogiar as qualidades de diversos afrodisíacos, como amendoim, catuaba, barbatana de tubarão e houve até um que falou do pó retirado do chifre de rinocerontes. Quando recomendaram ao papai uma dessas substâncias, eu acho que ele não percebeu que eu estava escutando e declarou que: “Não, eu não vou usar nada disso porque a minha mulher já “fechou a fábrica”. Eu nunca fui infiel e não vai ser depois de velho que eu vou fazer isso”.
Por isso eu tenho certeza de que ele foi fiel durante toda a vida. Acho que isso é genético, transmitido de pai para filho. Escutaram essa, Nicinha e Mariana? Ricardo diz que, enquanto foi casado, também respeitou a tradição.
Depois que fui trabalhar com ele, enquanto cursava a faculdade, tivemos muito mais contato que antes. Eu era muito fechado, mas ele gostava de conversar e há algumas outras passagens sobre fatos que ele comentava comigo, mas acho que era conversa reservada e não me sinto autorizado a relatar.
Quando eu fiz o concurso e fui aprovado como juiz federal com apenas 26 anos, acho que foi o terceiro e maior orgulho que ele teve e a realização de um sonho. Ele sempre disse que queria que algum filho viesse a ser juiz ou embaixador. Minhas irmãs foram todas professoras e meu irmão seguiu odontologia. Por isso, só restava eu e fico muito feliz em saber que consegui realizar esse desejo dele.
Tomando posse, tive que ir morar longe e perdi o contato com papai, mas ele me disse que ficava furioso quando saía no Jornal Nacional alguma notícia sobre mim e usavam o nome “Alzir Carvalhaes”. Ele queria que me chamassem “Alzir Fraga” ou então pelo nome inteiro.
Por tudo isso eu sei que, embora tenha sido levado e travesso na infância, dei a meu pai vários momentos de felicidade e orgulho depois que cresci.